12 de mai. de 2012

Haptonomia: contato com o bebê ainda no ventre

por Josie Zecchinelli em 16/05/2009

A Haptonomia é uma técnica pouquíssimo conhecida no Brasil. A palavra Hapto tem origem grega e siginifica “fazer contato tátil, eu me junto ao outro, eu estabeleço relação (por meio do toque) com o outro com a intenção de fazer um todo, de confirmar a outra pessoa em sua existência”. O termo haptonomia foi utilizado pelo holandês Frans Veldman, há cerca de trinta anos, para definir o que ele chama de Ciência da Afetividade, o conjunto de leis que regem o campo do nosso coração, nossos sentimentos. A base desta ciência é o princípio de que o ser humano tem o direito primordial de afirmação de sua existência e de confirmação da afetividade de seu ser desde o momento de sua concepção.

A Haptonomia não é uma técnica terapêutica restrita apenas à gestação, mas seu principal trabalho acontece durante a gestação e até dois anos após o nascimento do bebê. O acompanhamento haptonômico pré, peri e pós natal dos pais e do bebê promove o desenvolvimento de vínculos afetivos entre os pais e a criança e os ajuda a estabelecer uma comunicação amorosa com o bebê desde o período uterino. Esse contato precoce também ajuda a criar uma situação favorável para uma experiência positiva de nascimento e pós-parto para o bebê e seus pais. A relação afetiva estabelecida durante este acompanhamento, entre pai, mãe e a criança, promove o desenvolvimento do senso de paternidade e maternidade e da responsabilidade que os pais têm em relação à individualidade de seu filho enquanto ser humano. A haptonomia ajudará os pais a desenvolverem uma relação com a criança de forma a estimular seu desenvolvimento físico, psíquico e emocional, encorajando sua autonomia.

A comunicação com o bebê durante a gestação, nesta técnica, se dá por meio do toque. Não simplesmente um toque qualquer, mas um toque dirigido intencionalmente ao bebê, no ventre da mãe. A intenção do trabalho não é apenas preparar para o parto, mas preparar os pais para uma recepção afetiva do bebê. A cada encontro com o haptoterapeuta, os pais descobrem como interagir com o bebê através de um contato de toque afetivo-confirmativo, com uma intenção amorosa. Pai e mãe realizam toques de pressão leve sobre o abdômen da gestante, aguardando a resposta do bebê, sua movimentação. O profissional que os acompanha os estimulará a, através do pensamento e do posicionamento do toque, convidar amorosamente o bebê a realizar determinados movimentos e a observarem as respostas dos bebê. Conforme a sintonia entre os movimentos do bebê e os toques dos pais vai se aprofundando, o vínculo afetivo se torna mais forte, assim como a percepção da existência do bebê, de sua sensibilidade. Mais do que pensar no diálogo com o bebê neste momento, o que importa é sentir, é na sensação e no sentimento que a comunicação efetivamente se estabelece.

Esta é uma técnica que auxilia muito na integração da tríade pai-mãe-bebê, especialmente para o pai. Através do contato frequente com o bebê por meio dos toques e da comunicação estabelecida desta forma, o pai se sente mais incluído no processo de gestação. Para a mulher, todo este trabalho pré-natal será especialmente útil no momento do parto, pois a consciência da presença e movimentação do bebê se tornará mais aguçada.

O acompanhamento haptonômico, geralmente, tem início quando surgem os primeiros movimentos do bebê perceptíveis pela mãe, entre 18 e 20 semanas de gestação. No Brasil, há pouquíssimas pessoas com a formação nesta técnica. No exterior, especialmente na Holanda e França, é comum encontrar profissionais da enfermagem, obstetrícia, psicologia e medicina com esta formação, utilizando a técnica em seus consultórios e nas maternidades.

Fonte: http://www.maternidadeconsciente.com.br/artigos/haptonomia-contato-com-o-bebe-ainda-no-ventre/

O PUERPÉRIO

Por flávia Penido

Vamos considerar o puerpério como o período que transita entre o nascimento do bebê e os seus dois primeiros anos de vida, ainda que emocionalmente haja um progresso evidente entre o caos dos primeiros dias –em meio a um pranto desesperado- e a capacidade de sair ao mundo com um bebê nas costas.

Para tentarmos submergir nas difíceis trilhas energéticas, emocionais e psicológicas do puerpério, creio ser necessário reconsiderar a duração real deste período. Refiro-me ao fato de que os famosos 40 dias estipulados – já não sabemos por quem, nem para quem – têm a ver somente com o histórico veto moral para salvar a parturiente da procura sexual do homem. Mas esse tempo cronológico não significa psicologicamente um começo, nem um final de nada.

Minha intenção – pela falta de um pensamento genuíno sobre o “si mesmo feminino” na situação de parto, lactação, criação e maternagem em geral – é desenvolver uma reflexão sobre o puerpério, baseando-nos em situações que às vezes não são nem tanto físicas, nem tão visíveis, nem tão concretas, mas não são menos reais por isso. Vamos falar, em definitivo, do invisível, do submundo feminino, do oculto. Do que está mais além do nosso controle, mais além da razão para a mente lógica. Tentaremos nos aproximar da essência do lugar onde não há fronteiras, de onde começa o terreno do místico, do mistério, da inspiração e da superação do ego. Para falar do puerpério, teremos que inventar palavras, ou outorgá-las um significado transcendental.

Para nós, que já o transitamos faz muito tempo, nos dá preguiça voltar a recordar esse lugar tão desprestigiado, com reminiscências de tristeza, sufoco e desencanto. Recordar o puerpério equivale, frequentemente, a reorganizar as imagens de um período confuso e sofrido, que engloba as fantasias, o parto tal como foi, e não como havia querido que fosse, dores e solidões, angústias e desesperanças, o fim da inocência e o inicio de algo que dói trazer outra vez à nossa consciência.

Para começar a armar o quebra-cabeça do puerpério é indispensável ter em conta que o ponto de partida é o parto, quer dizer, a primeira grande desestruturação emocional. Como descrevi no livro “Maternidade e o Encontro com a própria Sombra: para que se produza o parto, necessitamos que o corpo físico da mãe se abra para deixar passar o corpo do bebê, permitindo uma certa “ruptura”. Essa ruptura corporal também se realiza em um plano mais sutil, que corresponde à nossa estrutura emocional. Há um “algo” que se quebra, que se “desestrutura” para permitir a passagem de “ser um, para ser dois”.

vulcãoÉ uma pena que atravessemos a maioria dos partos com muito pouca consciência a respeito desta “ruptura física e emocional”. Já que o parto é sobretudo um corte, uma quebra, uma brecha, uma abertura forçada, igual à erupção do vulcão (o parto), que geme desde as entranhas e que ao lançar suas partes profundas para fora destrói a aparente solidez, criando uma estrutura renovada.

Depois da “erupção do vulcão”, nós mulheres nos encontramos com o tesouro escondido (um filho nos braços) e, além disso, com insólitas pedras que se desprendem como bolas de fogo (nossos “pedacinhos emocionais”, ou nossas partes mais desconhecidas), rodando em direção ao infinito, ardendo em fogo e temendo destruir o que tocamos. Os “pedacinhos emocionais” vão queimando o que encontram em seu caminho. Olhamos atordoadas, sem poder crer na potência de tudo o que vibra em nosso interior. Incendiando e caindo no precipício, costumam manifestar-se no corpo do bebê (que é como uma planície de pasto úmido, aberta e receptora). São nossas emoções ocultas que desdobram suas asas no corpo do bebê saudável e disponível.

Como um verdadeiro vulcão, nosso fogo roda por todos os vales receptores. É a sombra, expulsa do corpo.

Atravessar um parto é preparar-se para a erupção do vulcão interno, e essa experiência é tão avassaladora que requer muita preparação emocional, apoio, acompanhamento, amor, compreensão e coragem por parte da mulher e que de quem pretende assisti-la.

Todavia, poucas vezes nós mulheres encontramos o acompanhamento necessário para introduzir-nos logo nessa ferida sangrenta, aproveitando esse momento como ponto de partida para conhecer nossa renovada estrutura emocional (em geral, bastante maltratada, por certo) e decidir o que faremos com ela.

O fato é que – com consciência ou sem ela, acordadas ou dormindo, bem acompanhadas ou sós, incineradas ou a salvo – o nascimento se produz.

Lamentavelmente, hoje em dia, consideramos o parto e o pós-parto como uma situação puramente corporal e de domínio médico. Submetemo-nos a uma situação em que, com certa manipulação, anestesia – para que a parturiente não seja um obstáculo, drogas que permitem decidir quando e como programar a operação e uma equipe de profissionais que trabalham coordenados, possam tirar o bebê corporalmente são e felicitar-se pelo triunfo da ciência. Estas modalidades estão tão arraigadas em nossas sociedades que nós mulheres nem sequer nos questionamos se fomos atrizes de nossos partos ou meras espectadoras. Se foi um ato íntimo, vivido desde a mais profunda animalidade, ou se cumprimos com o que se esperava de nós. Se foi possível transpirar ao calor de nossas chamas ou se fomos retiradas da cena pessoal antes do tempo.

Na medida em que atravessarmos situações essenciais de ruptura espiritual sem consciência, anestesiadas, adormecidas, infantilizadas e assustadas…ficaremos sem ferramentas emocionais para rearmar nossos pedacinhos de chamas, permitindo que o parto seja uma verdadeira transição de alma. Frequentemente é assim que iniciamos o puerpério: afastadas de nós mesmas.

Anteriormente descrevíamos a metáfora do vulcão em chamas, abrindo e rachando seu corpo, deixando a descoberto a lava e as pedras. Analogamente, do ventre materno urge o bebê real, e também o interior desconhecido dessa mamãe, que aproveita o rompimento para correr pelas fendas que ficaram abertas. Esses aspectos ocultos encontram uma oportunidade para sair do refúgio. A sombra (quer dizer, qualquer aspecto vital que cada mulher não reconhece como próprio, a causa da dor, o desconhecimento ou o temor) utiliza a ruptura para sair de seu esconderijo e apresentar-se triunfante na superfície.

O problema para a mamãe recente é que se encontra simultaneamente com o bebê real, que chora, demanda, mama, se queixa e não dorme…e ao mesmo tempo com sua própria sombra (desconhecida por definição) , inabacárvel e indefinível. Porém, concretamente, com que aspectos de sua sombra se encontra? Cada ser humano tem sua personalíssima historia e obstáculos a recorrer, portanto, só um trabalho profundo de introspecção, busca pessoal, encontro com suas dores antigas e coragem poderá guiar-nos até o interior dessa mulher que sofre através da criança que chora.

O puerpério é uma abertura de alma. Um abismo, uma iniciação – se estivermos dispostas a submergir nas águas de nosso eu desconhecido.

Texto original de Laura Gutman: El Puerperio

Tradução livre de Flavia Penido. Revisão por Amano Bela.

11 de mai. de 2012

Atendimento e Aconselhamento Psicológico na Gestação, Parto e Pós parto

 

por Josie Zecchinelli em 11/07/2011

Muitas mães enlouquecem quando o bebê chega, algumas caem em depressão, e muitas que vemos no noticiários que não consigo nem chamar de mãe, chegam ao extremo de jogar seus filhos no lixo, em lagos, etc... Se desde o início, o SUS, e os obstétras de planos particular indicassem um atendimento e aconselhamento psicológico, provavelmente essas loucuras que vemos hoje em dia diminuiria muito, e muitas mães de primeira viagem (como eu), não passaria por tanto stress da gestação até os dias atuais. Leia mais:

http://www.maternidadeconsciente.com.br/atividades/atendimento-e-aconselhamento-psicologico-na-gestacao-parto-e-pos-parto/

Meditação para gestantes

por Jozie Zecchinelli


A gestação é um período criativo, não apenas porque literalmente seu corpo está gerando um novo ser, mas porque também suas emoções e seu inconsciente estão mais disponíveis para criar novas possibilidades, transformações. No entanto, no dia-a-dia, nem sempre a mulher tem a percepção da oportunidade maravilhosa que é este momento. Criamos este espaço de meditação para ampliar o nível de consciência das mães, ampliar a sensibilidade e a percepção com o auxílio de técnicas de meditação e relaxamento, para que possa aflorar todo o seu potencial criativo, a sua capacidade de transformação. A meditação em si é um estado, o fluxo de pensamentos diminui e você observa apenas o que está se passando aqui e agora, o momento presente. Este estado traz um profundo relaxamento e ao mesmo tempo a sensação de estar plena, completamente presente em seu corpo, sua existência. Nada melhor para alguém que dentro de alguns meses precisará muito dessa presença para cuidar de um outro ser. À medida que experimenta os estados meditativos, você vai se tornando mais atenta, pois sua capacidade de observação vai se aprofundando e seus sentidos vão se abrindo cada vez mais. Mais sensível, mas ao mesmo tempo mais centrada, a mulher vai se reconectando com sua própria força e se tornando menos suscetível às oscilações de humor.

Experimente o prazer de sua própria presença através da meditação!
Para mais informações, entre em contato com a terapeuta:
Josie Zecchinelli (Amano Bela)
telefone em São Paulo: (11) 93384676

Formada em Psicologia pela Universidade Federal do Espírito Santo, Psicoterapeuta Corporal com formação pelo Instituto Wilhelm Reich de Vitória, e formação em Renascimento e Terapias Integradas de Respiração pelo Centro Metamorfose de Desenvolvimento integral. É também Educadora Perinatal com formação pelo GAMA – Grupo de Apoio à Maternidade Ativa e Doula (acompanhante de parto).

15 SEMANAS DE GRAVIDEZ

Com 15 semanas , o bebê tem o tamanho da palma de sua mão, se pudesse pegar o bebê, ele caberia na palma da sua mão. Nesta semana, o bebê já desenvolve sensibilidade à luz e começa a ter soluços, não conseguimos ouvi-los porque o sistema respiratório do bebê fica cheio de líquido, em vez de ar, mas em algum tempo já poderá sentir os soluções dele.
Ele também já começa a desenvolver o paladar, pois os sabores dos alimentos consumidos pelas mães grávidas acabam indo parar no líquido amniótico. O momento mais emocinante na minha gravidez foi sentir Cecília se mexer pela primeira vez, mas a maioria das mulheres percebe os primeiros movimentos entre a 16a e a 20a semana, as meninas que trabalhavam comigo e pessoas da minha família, achavam que eu estava imaginando, ou que poderia ser gases, mas eu sabia que ela era me dizendo: - Hei mãe, estou aqui.
No Brasil não é frequente, mas em outros países os médicos com 15 semanas pedem um exame de sangue para detectar problemas genéticos, é um teste de múltiplos marcadores mede, entre outras coisas, os níveis da alfa-feto proteína e é feito entre a 15a e a 20a semana. É um teste que serve para definir a indicação para uma possível amniocentese.
A amniocentese, um exame invasivo, só costuma ser recomendada para mulheres com mais de 35 anos ou para aquelas com histórico familiar de problemas congênitos. Ela também é realizada entre a 15a e a 20a semana de gravidez. Peça a seu médico para explicar a você todas as implicações dos testes feitos para detectar anormalidades cromossômicas.
E como eu sempre digo, anote todas as suas dúvidas num caderninho e leve na próxima consulta para não esquecer de nada!
Boa sorte!

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